logo-univalle
logo crisis&critica
01

Marzo de 2013

Una crítica musical - Um dia um blues

Imprimir Descargaaumentar mermar Tamaño de la letra

UM DIA UM BLUES

Patricia Costa*

 

 

Visitei lugares muito profundos onde existe um estado de consciência absoluta. Dentro dele sofremos de um excesso de lucidez, lá não existem ilusões. A vida existe, mas o desejo não pulsa. Nenhuma forma de desejo se sustenta. Não se deseja nem desejar. Dentro deste lugar a vida é insuportável. Viver sem desejo é um fardo. Lembro-me da frase de um japonês kamikase num bilhete de despedida para a família: "a morte é leve como uma pluma e a responsabilidade de viver mais pesada que uma montanha". Nesse lugar a morte aparece como uma dádiva, porém como no meu caso não tenho tendências suicidas nem isso era uma opção. Fiquei alí, nesse lugar, tempo demasiado. Mas voltei. A volta é precisamente quando se consegue emergir e se conectar com a ilusão. Na verdade vocé se "cura' quando esquece novamente da consciência constante da inevitabilidade da morte, e com isso volta-se a poder suportar a existência novamente. Entretanto, ninguém volta de uma viagem dessa. Hoje eu sou uma sobrevivente dessa experiência de consciência profunda. É como se eu tivesse visto "the beast", face to face. Trata-se da realidade da existência humana em seu estado puro, sem a beleza da experiência.

 

Hoje convivo com isso e trabalho com o "the day after", aos poucos. Como um golfinho que mergulha e volta à tona devagarinho em câmera lenta.

 

 

 

 


*Patricia Costa es poeta y vive en Rio de Janeiro.